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Crítica | Três Anúncios Para Um Crime é uma obra-prima estampada em outdoors



Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) nos entrega uma história magnética, capaz de fazer chorar e rir, desafiadora e com alto poder de reflexão.

Quando Mildred Hayes (Frances McDormand), uma mãe que teve sua filha brutalmente assassinada vê o processo de investigação ser praticamente esquecido pela polícia local, após meses do ocorrido. O único modo que encontra para chamar a atenção da população e ganhar visibilidade na mídia para as investigações serem retomadas é, alugando três outdoors em uma estrada abandonada provocando o responsável pelas investigações, o xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson).

Seus atos tem efeito imediato, a mídia aparece para expor o ato de uma mãe enfurecida, enquanto a população local apesar de demonstrar certo entendimento em relação ao luto de Mildred, a atacam incessantemente em apoio ao xerife Bill, que ganhou destaque no outdoor pelo simples fato de estar a frente da polícia local. Em meio a essa situação que Martin McDonagh, diretor e roteirista do longa, explora as nuances de cada personagem de forma tão real, que consegue dosar naturalmente o humor e o drama necessários para a trama, apresentando personagens complexos que são muito mais que meros vilões ou mocinhos.


Frances McDormand - indicada ao Oscar pela personagem - trás à Mildred diversas camadas. Ela não é a mãe perfeita e super heroína que estamos acostumados a ver, ela é real, com seus defeitos e culpas, carregando o ódio que sente diante da impunidade. Sua presença é marcante em todo o longa, ferida emocionalmente revela duras verdades com a severidade necessária para ser ouvida.


Woody Harrelson, que vive o xerife Bill Willoughby, contrapõe muito bem com a personagem de Frances, ele é adorado pela cidade, sempre carregando o peso da responsabilidade em solucionar o caso, ao mesmo tempo que enfrenta um câncer terminal. Com Dixon (Sam Rockwell) de escudeiro, o xerife ganha um ar amigo, que sempre procura passar sua sabedoria adiante. E Sam Rockwell, como o policial Dixon ganha destaque nesta história, um cara odiado por muitos, quase um vilão, com uma vida dominada por ódio, mas que de certa forma acaba encontrando um possível caminho para a redenção.

No fim, o filme não é centrado na resolução do crime, mas sim sobre como todos ao redor são afetados de formas diferentes por ele e como cada um lida com a dor, culpa e com a vida em si. Como lidamos com finais inesperados e seguimos em frente por mais difícil que seja.

Nota:


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